PERIODICIDADE E ESCOLHA DE EXAMES LABORATORIAIS NA TERAPIA HIPOLIPEMIANTE
MARTINEZ, Tania L. R. e NASCIMENTO, Helena M.
Arq. Bras. Cardiol., out. 2005, vol.85 supl.5, p.6-8
Intervenções farmacológicas com hipolipemiantes devem ser
monitoradas periodicamente para avaliar eficácia e parâmetros de
segurança. As estatinas são drogas normalmente bem toleradas e os seus
principais efeitos colaterais incluem aumento das enzimas hepáticas (AST
e ALT) e muscular (CK). O tratamento deve ser interrompido ou diminuído
no caso de um aumento significativo das AST ou ALT (> 3x LSN), ou CK
(> 10x LSN). Outros agentes hipolipemiantes também podem produzir
hepatotoxicidade ou miosite, fibratos e ácido nicotínico, especialmente em associação com as estatinas ou na presença de anormalidades metabólicas
(tireoidite, hepatopatia e nefropatia). Ácido nicotínico pode também
aumentar os níveis plasmáticos de glicose e ácido úrico. Testes laboratoriais
podem ser utilizados no seguimento da terapia hipolipemiante e devem ser
repetidos a cada três meses durante o primeiro ano e então em intervalos
de seis meses. Intervalos menores são recomendados para casos especiais.
Palavras-chave: Estatinas; segurança; hepatotoxicidade.
USO DE TERAPIA REGENERATIVA COM CÉLULAS-TRONCO DA MEDULA ÓSSEA EM DOENÇAS CARDIOVASCULARES: PERSPECTIVA DO HEMATOLOGISTA
MOTA, Augusto C.A.; SOARES, Milena B.P. e SANTOS, Ricardo R.
Rev. Bras. Hematol. Hemoter., abr./jun. 2005, vol.27, no.2, p.126-132
O desenvolvimento de técnicas de transplante de órgãos sólidos
e de medula óssea foi um dos mais fascinantes avanços da medicina
no século XX. A virada do século XXI testemunha um desdobramento
também fascinante e promissor desta modalidade terapêutica: o uso
de células-tronco para regenerar tecidos lesados outrora considerados
irreparáveis. Resultados encorajadores de inúmeros estudos com animais
de experimentação impulsionaram grupos de diversos centros no mundo a
iniciar estudos clínicos com transplante de células-tronco em várias doenças,
particularmente as doenças cardiovasculares e neurológicas. Embora ainda
estejamos algo distante de entender o mecanismo preciso pelo qual as células-tronco regeneram órgãos lesados, os estudos publicados até o
presente momento, incluindo vários estudos envolvendo seres humanos,
sugerem haver um benefício real com esta terapia. O presente artigo
pretende abordar os aspectos relevantes da terapia celular em doenças
cardiovasculares, incluindo conceitos básicos sobre células-tronco, e os
principais estudos de animais de experimentação e clínicos publicados até
o presente.
Palavras-chave: Células-tronco; terapia celular; doenças cardiovasculares.
PROBNP NA ESTRATIFICAÇÃO CLÍNICA DOS PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
PEREIRA-BARRETTO, Antonio C.; OLIVEIRA Jr., Mucio
T.; FRANCO, Fabio G.; CASSARO-STRUNZ, Célia
Objetivo: Verificar se os níveis da fração N terminal do ProBNP
(ProBNP) caracterizam com acurácia a situação funcional dos portadores de
insuficiência cardíaca (IC).
Métodos: Foram estudados 69 pacientes com história de IC, idade
média de 53,5 anos sendo 78,3 % de homens. Foi verificado se havia
correlação entre dados clínicos e ecocardiográficos e os níveis de ProBNP. Os
pacientes encontravam-se em classe funcional (CF) CF I 14%, CF II 40,6%,
CF III 28,1% e CF IV 23,4%. A fração de ejeção (FE) média foi de 0,28.
Resultados: Os valores do ProBNP foram semelhantes em ambos os
sexos, nas diferentes cardiopatias e nos pacientes jovens e idosos. Não houve
correlação entre a FE e os níveis de ProBNP. Os níveis de ProBNP foram
significativamente menores nos pacientes em CF I do que em CF II (42 vs 326,7 pmol/l, p=0,0001), em CF II do que em CF III (p=0,01) e semelhantes
entre CF III e CF IV ( 888,1 vs 1082,8 pmol/l, p=0,25). Valores acima de 100
pmol/l permitiram identificar os portadores de descompensação cardíaca
com uma sensibilidade de 98%.
Conclusão: Valores > 100 pmol/l são indicativos de descompensação
cardíaca e pacientes com insuficiência cardíaca avançada apresentaram
valores > 270 pmol/l. A dosagem de ProBNP auxiliou na caracterização
funcional dos portadores de insuficiência cardíaca.
Palavras-chave: Insuficiência cardíaca; ProBNP; descompensação cardíaca.
TESTEMUNHO DE UM OBSERVADOR EVENTUAL. PARATORMÔNIO NO TRATAMENTO DA OSTEOPOROSE: DA CONTROVÉRSIA À REALIDADE
VIEIRA, José Gilberto H.
Arq. Bras. Endocrinol. Metab. 2002; 46/3: 288-290
A evolução da idéia do uso potencial de paratormônio para o
tratamento da osteoporose foi longa. Foi também um exemplo de como
os conceitos em medicina podem demorar a serem alterados, sendo esta
alteração muito dependente da disponibilidade de recursos diagnósticos
adequados. A aceitação de que um hormônio, que quando presente em
excesso leva a uma doença óssea, pode ser um agente terapêutico que
induz a um aumento da massa óssea, é evidentemente difícil. A ausência de
um agente anabólico ósseo realmente efetivo, a disponibilidade de meios
diagnósticos efetivos e não invasivos, e o interesse da indústria farmacêutica possibilitaram o estudo e a disponibilização do paratormônio injetável como
agente terapêutico. Os resultados mostraram que as expectativas eram bem
fundamentadas e a disponibilidade da droga a curto prazo em nosso meio
nos estimula a uma atualização sobre o assunto e o potencial uso da droga
na prática clínica.
Palavras-chave: Osteoporose; tratamento de osteoporose; paratormônio injetável; terapia anabólica óssea.
DISFUNÇÕES MÍNIMAS DA TIRÓIDE: HIPOTIROIDISMO SUBCLÍNICO E HIPERTIROIDISMO SUBCLÍNICO
ROMALDINI, João H.; SGARBI, José A.; FARAH, Chady S.
Hipotiroidismo subclínico (SHT) e hipertiroidismo subclínico (SCH) são
definidos pelas concentrações normais de T4 e T3 livres séricos associadas
com valores de TSH elevado (SHT) ou suprimido (SCH). As prevalências
são baixas e sintomas e sinais de disfunção tiroideana escassos. No SHT,
colesterol total e LDL-C estão ligeiramente elevados, e tratamento com
levotiroxina pode influir nos valores dos lipídeos. Ocorre diminuição da
contratilidade do miocárdio e aumento da resistência vascular periférica,
que melhoram com o tratamento. Fibrilação atrial é mais freqüente no SCH,
e há aumento do índice de massa do ventrículo esquerdo, da contratilidade cardíaca, disfunção diastólica e indução de batimentos atriais ectópicos
que regridem com uso de beta-bloqueadores. No SCH, ocorre diminuição
da densidade óssea. Depressão, doença do pânico e alterações de testes
cognitivos são freqüentes no SHT. O tratamento do SHT é indicado com TSH
sérico maior do que 8mU/L e presença de anticorpos antitiroideanos, e do
SCH endógeno, quando existem sintomas, em idosos ou concentração de
TSH menor do que 0,1mU/L.
Palavras-chave: Tiroxina; TSH; hipotiroidismo; hipertiroidismo; levotiroxina.
ANTICORPOS ANTI-TIRÓIDE: ASPECTOS METODOLÓGICOS E IMPORTÂNCIA DIAGNÓSTICA
VIEIRA, José Gilberto H.; KASAMATSU, Teresa S.;
HAUACHE, Omar M.; MACIEL, Rui M.B.
Desde sua descrição, há mais de 40 anos, a pesquisa de anticorpos
(Ac) contra antígenos (Ag) tiroideanos tem tido papel importante no
diagnóstico da patologia tiroideana. A tiróide é freqüentemente acometida
por doenças autoimunes, daí o interesse pela definição dos Ag tiroideanos
que podem estar envolvidos no processo. O primeiro Ag reconhecido foi
a tireoglobulina, seguido do “fator microssomal”, mais tarde identificado
como a peroxidase tiroideana, o receptor de TSH e mais recentemente outros
Ag como o cotransportador de sódio e iodo (sodium/iodide symporter, NIS).
As metodologias evoluíram dos ensaios iniciais por hemaglutinação até
o emprego atual de Ag recombinantes, marcadores alternativos e células
transfectadas. Atualmente as indicações clínicas da pesquisa de Ac antitiroideanos
são bem definidas, sendo o de maior aplicação a pesquisa
de Ac anti-peroxidase, que é o que apresenta maior especificidade e sensibilidade para a definição da presença de doença autoimune tiroideana.
A pesquisa de Ac anti-tireoglobulina é fundamental como complemento
da dosagem de tireoglobulina no acompanhamento de pacientes com
carcinoma diferenciado de tiróide. Já a pesquisa de Ac anti-receptor de
TSH tem indicação precisa na definição da presença de doença de Graves.
As indicações de pesquisa de Ac contra outros Ag tiroideanos não têm,
atualmente, indicações comprovadas. A contínua evolução metodológica
deverá aumentar ainda mais as indicações e utilidades da pesquisa de Ac
contra Ag tiroideanos.
Palavras-chave: Anticorpos anti-tiróide; anticorpos anti-peroxidase tiroidiana; anticorpos anti-tireoglobulina; anticorpos anti-receptor de TSH. |