Dr. Victor Hugo, diretor da Anvisa
Doutor Victor Hugo Costa Travassos da Rosa, diretor da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária, fala sobre o Certificado de Boas Práticas de
Fabricação e Armazenamento de Produtos para Saúde.
Roche in News – Qual a importância do Certificado de Boas
Práticas de Fabricação e Armazenamento que a Anvisa concede
às empresas do Brasil? Por que é importante ter este
certificado?
Dr. Victor Hugo – Nós vivemos em um mundo onde é necessária
a melhoria de qualidade e precisamos, principalmente no
âmbito da saúde, nos certificar, não só documentalmente, de
que não há risco sanitário nessa cadeia. Esse documento se
constitui em uma exigência da autoridade sanitária para fazer
com que as empresas avancem com segurança e qualidade.
É uma forma de garantir que o processo em todo o seu ciclo
seja baseado na qualidade, não se fixando apenas no ato da
fabricação.
Roche in News – Além de garantir uma boa qualidade dos
produtos, a certificação também faz com que as empresas
prestem um serviço melhor à população?
Dr. Victor Hugo – A linguagem não é bem essa. Nós não garantimos
essa qualidade. Nós induzimos as empresas a produzirem
com qualidade. O agente sanitário nada mais é do que
um indutor. Quem faz a qualidade é quem fabrica. Nós somos
os “críticos”, os cobradores que queremos que as empresas
produzam cada dia com maior e melhor qualidade.
Roche in News - No âmbito privado, no mercado, o senhor
sente que a partir do momento que uma empresa consegue o
certificado há uma melhora da imagem dessa empresa?
Dr. Victor Hugo – Esta é uma questão de conscientização que
está acontecendo cada dia mais e de maneira mais ampla no
Brasil. A prática e a observação nos mostram que cada vez
mais as empresas, principalmente os hospitais, têm buscado
qualificar seus fornecedores como elemento fundamental para
o desempenho de suas atividades no contexto da qualidade.
Com certeza a empresa certificada preenche o primeiro requisito
no processo de qualificação, o que certamente a diferencia
das demais.
Roche in News – Pode-se dizer que esse certificado oferece
uma vantagem competitiva para a empresa que o tem?
Dr. Victor Hugo – Se eu estivesse em um hospital e fosse o
decisor da aquisição de medicamentos e de produtos para diagnósticos,
buscaria selecionar os fabricantes que têm a certificação
da Anvisa, porque este fato atesta que aquela empresa foi
inspecionada.
Roche in News – Existe algum setor do atendimento ao cliente
que também é avaliado?
Dr. Victor Hugo – O SAC das empresas, ao receber notificações
de desvio de qualidade, reações adversas, ou outras intercorrências
que comprometam a qualidade e que possam representar
risco à saúde, deve tomar as medidas corretivas compatíveis
ao fato e se obriga a comunicar os setores competentes do
órgão regulador, como Farmacovigilância, Tecnovigilância, Hemovigilância,
que por sua vez tomam as medidas compatíveis
caso a caso.
Roche in News – Nós podemos dizer que uma das preocupações
da Agência é fazer com que as empresas que trabalhem
no Brasil também tenham uma preocupação com foco no
cliente porque o sistema de saúde como um todo começa a
funcionar melhor?
Dr. Victor Hugo – Nosso foco é o risco sanitário. Nossa missão
é reduzir ao mínimo os riscos sanitários. Ou seja, garantir à
população que ao adquirir um produto para a saúde, ela esteja
certa de que não se submeterá a algo que poderá lhe causar
malefícios.
Roche in News – O certificado é apenas o começo? Depois
de adquirido, existe todo um trabalho de continuidade e melhoria
da empresa?
Dr. Victor Hugo – O certificado, na verdade, é uma melhoria
contínua de qualidade. Quanto mais você melhorar a qualidade,
mais você vai ter resultados favoráveis nas futuras inspeções. |